O MAR MAR DE PESCAR
O mar mar de pescar
quase não há
Um destino de dor e de paixão
pão de pedra da fome
enreda lentamente o pescador
lentamente o consome
E face a esta morte anunciada
ao Velho do Restelo só lhe resta
pegar no seu bordão e na sacola
e ir pedir reforma antecipada
que para ele decerto
é coisa ainda mais amarga
do que pedir esmola
In “Algumas Trovas de Haver o Mar e um Post Scriptum”
Editora Campo das Letras
Vasco Costa Marques
(1928-2006)