CÁ TE ESPERO...

Recordando... Vasco Costa Marques

ÚLTIMO POEMA DO AMOR AUSENTE


 


Todo o corpo lhes dói de acertar os relógios


De momento a momento às vantagens do tempo


Meu amor meu amor tem por vezes o gosto


Do veneno sorvido ao desabar das pontes


 


A mais frágil aragem os confunde


O espaço aberto enreda-lhes os passos


O convívio da vida esboroa as palavras


A liberdade é um peso enorme nos seus ombros


 


«Tudo quando perdi na violência do tempo


Veio hoje até mim como o espinho da flor


Como o operário morto entre o ferro e o cimento


Da construção do amor


 


Foi um lento e incógnito perfume


Foi um lago sem margens intransposto


Foi uma pedra vermelha de lume


O mais belo sorrir de desgosto»


 


In “Poesia dos Dias Úteis”


Publicações Europa-América


 


Vasco Costa Marques


(1928-2006)

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