CÁ TE ESPERO...

Recordando... Victor Oliveira Mateus

TODA A NOITE A LUA


 


Toda a noite a lua


dançou na orla do palmeiral. Seus braços de fina prata


revestiam de brilho o vermelho da terra; armadilha de astro cego


na desordem do mundo


E toda a noite ela saltou, rodopiou, encenou a mais estranha


coreografia no silêncio eloquente dos céus. Inconstante lua.


Dissimulada. Vai-te imagem de mil abismos – tu que a tantos


enredas com tuas múltiplas faces. Vai-te. Vai-te sinal do efémero,


maga do instante – tu que na vida dos homens, sempre que queres,


entras e sais. Vai-te e não voltes mais


 


In “Pelo deserto as minhas mãos”


Editora Coisas de Ler


 


Victor Oliveira Mateus


(N.1952)

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