MANHÃ
Oh, a frescura intensa da manhã,
Batendo, lado a lado, toda a estrada!
– Inda ha pouco apanhei uma braçada
De alfazema florida, ingenua e sã...
Abre, no céu, a fulgida romã
Que em beijos de oiro se desfaz, cançada,
Oh, como eu sinto agora remoçada
A minha fé tranquilla de christã...
Nos silvados despontam as amoras.
Começa, ao longe, a vibração das nóras,
Todo o campo se alegra e se ilumina!
Passam pardaes a granizar em bando,
Um rebanho, um pastor, de quando em quando,
– E cheira a matto, a fructos, a resina...
In “Contemporanea”
Director – José Pacheco
Redactor Principal – Oliveira Mouta
Editor – Agostinho Fernandes
Ano I – Volume II – Nº.6 - Ano 1922
Pág. 93
Mantém a grafia original
Virgínia Victorino
(1895-1968)