CÁ TE ESPERO...

Recordando... Vítor Nogueira

SEMENTES


 


É claro que me lembro. Havia dois atalhos


pelo meio do pinhal, direcções espantosamente


precisas, animais que não voltei a ver.


 


Enquanto as colheitas amadureciam nos campos,


havia talismãs pendurados nas árvores e mercúrio


para tratar certas lesões, uma peça vital


do equipamento. Havia girassóis à volta da casa


e as palavras imortais dos espantalhos, uma forma


de evitar que endoidecêssemos. E havia um muro


que era preciso saltar, a manhã gloriosa


da escalada, a ciência das grandes migrações.


 


Mas não vale a pena entrar em mais detalhes.


Este é o meu corpo. Esta é a minha mente.


Conhecem-se desde a infância e cumpriram pena juntos.


 


Do futuro nada sei. Apenas que vem aí.


 


In “Segunda Voz”


Averno - 2014


 


Vítor Nogueira


(N.1966)

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